Síndrome da Hiperestesia Felina
- Elayne Vita
- 6 de mai.
- 4 min de leitura
Você já viu, ou tem um gatinho que sacode as costas? E depois que faz isso, se lambe, ou sai correndo miando?

Esse sinal PODE significar que o gatinho tem Síndrome da Hiperestesia Felina.
MAS CALMA!
Para bater o martelo afirmando que o gatinho tem essa síndrome, primeiro precisamos descartar outras doenças (é um diagnóstico de exclusão).
Primeiro é necessário descartar doenças na pele e doenças neurológicas, para então pensar na parte comportamental, que aí sim seria Síndrome da Hiperestesia Felina.
Na Síndrome da Hiperestesia Felina nós temos somados fatores neurológicos e fatores emocionais.
Ó, eu preciso que você entenda que o que está escrito aqui é um resumo facilitado. A Síndrome da Hiperestesia Felina é muito complexa. Vamos lá?
Quais Gatinhos são mais afetados por essa síndrome?
Gatinhos machos e fêmeas, de todas as idades, sendo mais comumente observada em gatos com idades entre 1-5 anos.
Embora todas as raças possam ser afetadas, gatos siameses, birmaneses, persas e abissínios são mais comumente afetados
Quais são os sinais clínicos?
Os gatos fazem uma “tremedeira” ao longo da coluna lombar, e a pupila normalmente fica dilatada durante as crises.
Logo depois dessa tremedeira nas costas, geralmente:
- Olham fixamente para a cauda e, em seguida, atacam a cauda e/ou os flancos;
- Mordem/lambem a base da cauda, as patas dianteiras e trazeiras;
- Correm descontroladamente pela casa, vocalizando ao mesmo tempo;
- Gatos normalmente calmos podem demonstrar agressividade em relação a pessoas ou outros gatos da casa;
- Gatos agressivos podem demonstrar maior afeição.
Pode ter um ou mais desses sinais após a “tremedeira”.
O comportamento pode ser induzido por carinho, ou algo que encostou no pelo do gato e ocorre mais comumente pela manhã ou no final da noite.
Diagnóstico Diferencial
Com esses sinais, nós precisamos descartar algumas doenças antes de afirmar que é Síndrome da Hiperestesia Felina:
Doenças Dermatológicas: Dermatite alérgica a pulgas, alergia alimentar, atopia, dermatite infecciosa;
Doenças Neurológicas: Epilepsia, tumores cerebrais, doenças da coluna vertebral (doença de disco, neoplasia, mielite infecciosa);
Doenças Músculo-esqueléticas: Miosite, miopatia;
Comportamentais (no caso de ser SHF): Transtorno compulsivo, comportamento de deslocamento.
O diagnóstico de SHF deve incluir exame físico, exame neurológico, hemograma completo, perfil bioquímico sérico (especialmente função hepática e renal), urinálise (exame de urina) e radiografia da coluna vertebral.
Dependendo desses resultados, diagnósticos adicionais podem incluir raspagem de pele, cultura fúngica, biópsia de pele e/ou músculo, exames de imagem da coluna vertebral ou do crânio (tomografia computadorizada ou ressonância magnética), eletromiografia, testes com alimentos e testes farmacêuticos.
A decisão sobre quais testes realizar e em que ordem depende da paciência e da situação financeira do responsável e da gravidade dos sinais clínicos.
Embora a realização de uma gama completa de testes seja ideal, pode ser mais prático usar testes farmacêuticos após feito a consulta. Normalmente é feito antipulgas, se não tiver efeito fazemos tratamento com corticosteroides, e se não surtir efeito tentamos tratamento com anticonvulsivantes. Se nada resultar em uma melhora na condição do gato, então um diagnóstico presumido de SHF pode ser feito.
Fisiopatologia (como a síndrome age, fazendo o gatinho apresentar esses sintomas)
A SHF é comumente considerada um transtorno compulsivo que resulta em comportamento auto lesivo.
Um gatilho proposto para a SHF é o comportamento de deslocamento.
O comportamento de deslocamento ocorre como uma alternativa a dois outros comportamentos conflitantes. Exemplo: o gato quer comer, mas está sendo impedido de fazê-lo por um outro gato da casa. As motivações conflitantes, fome e medo, fazem com que o gato afetado queira simultaneamente executar os comportamentos conflitantes de comer e escapar. Como consequência, o gato pode realizar um comportamento apropriado para a espécie, mas que não tem nada a ver com aquele momento, como se lamber (para se limpar).
Se essa situação conflitante persistir por um período prolongado, o gato pode se envolver no comportamento de deslocamento mesmo quando as motivações concorrentes não estiverem mais presentes. Isso é então definido como um comportamento compulsivo.
Os fatores ambientais que desencadeiam os comportamentos compulsivos exercem sua influência estimulando o hipotálamo e o sistema límbico, que por sua vez ativam a atividade motora, fazendo essas “contrações” nas costas. E por isso falamos que é uma Síndrome Neurológica e Comportamental.
TRATAMENTO
O tratamento é baseado na Terapia Cognitivo Comportamental (TCC), somado à fármacos psicoativos. E em ambos é necessário avaliar a situação de cada gatinho, para entrar com as medidas específicas para cada caso.
Para ter sucesso no tratamento é muito importante que o responsável seja capaz de monitorar o grau de melhora. É recomendado até mesmo fazer um diário com quantidade de crises, intensidade, tempo de duração, e como foi a crise durante o tratamento.
Se você acha que seu gatinho tem Síndrome da Hiperestesia Felina, ou você conhece alguém que tenha um gatinho com esses sintomas, eu posso ajudar! Mande uma mensagem para o WhatsApp (21)99145-1165 para mais informações.
Concluindo
A SHF tem múltiplas etiologias possíveis. É preciso paciência e muita comunicação para chegar ao diagnóstico correto. Como acontece com a maioria dos distúrbios de comportamento, a SHF pode ser controlada, mas provavelmente não será curada: o que não reduz em nada a importância de continuar tratanto e dando qualidade de vida para o gatinho.
Referências Bibliográficas:
Fears, anxieties and stereotypes. In: Overall K. Clinical Behavioral Medicine for Small Animals. St. Louis: Mosby; 1997:227;
Lundgren B. Feline hyperesthesia syndrome. Accessed January 2009 at VeterinaryPartner.com.;
Psychogenic alopecia/overgrooming: feline. In: Horwitz D, Neilson J.Blackwell’s Five-Minute Veterinary Consult Clinical Companion: Canine and Feline Behavior. Ames: Blackwell Publishing; 2007:425-431.;
Tail chasing and spinning: canine and feline. In: Horwitz D, Neilson J.Blackwell’s Five-Minute Veterinary Consult Clinical Companion: Canine and Feline Behavior. Ames: Blackwell Publishing; 2007:475-483.
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